Este blog foi criado para informar e unir produtores e lideranças do setor agropecuário. Em reunião realizada dia 21 de junho em Santiago - RS, foi decidido realizar novamente um caminhonaço. Primeiramente será realizado um manifesto em Porto Alegre, dia 10 de agosto, em frente a Farsul, na pauta renegociação das dívidas, renda e questões ambientais. Seu apoio é muito importante!
Porque estamos nos mobilizando...
PORQUE ESTAMOS NOS MOBILIZANDO...
Em estudo divulgado pela FECOAGRO/RS, dia 16/06/2010 no jornal Correio do Povo, pode-se observar que o setor agropecuário está sem renda.
O MILHO com custo de R$ 18,99 a saca está sendo comercializado por R$ 15,74, prejuízo de 16,58%, o preço de comercialização da SOJA está 30% menor do que em 2009, na época era comercializada a R$ 47,00 a saca de 60kg, hoje está custando R$ 33,00. A realidade de Santiago, que colheu 30 sacas por ha, dados da EMATER, apresentou déficit de 2,64 sacas, isso significa que faltou 2,64 sacas para cobrir o custo da lavoura. Com o TRIGO a situação é ainda pior, não existe comercialização, o custo é de R$ 33,01 e o preço de venda é de R$ 21,56, prejuízo de 35%. O ARROZ de 20 anos analisados teve prejuízo em 13.
Na pecuária os dados também assustam: no sistema de CRIA de 11 anos analisados 8 apresentaram prejuízo, RECRIA E ENGORDA no mesmo período se observou prejuízos em 7 anos e no sistema de CICLO COMPLETO o pior resultado, de 11 anos analisados em 10 teve prejuízo.
Em estudo divulgado pela FECOAGRO/RS, dia 16/06/2010 no jornal Correio do Povo, pode-se observar que o setor agropecuário está sem renda.
O MILHO com custo de R$ 18,99 a saca está sendo comercializado por R$ 15,74, prejuízo de 16,58%, o preço de comercialização da SOJA está 30% menor do que em 2009, na época era comercializada a R$ 47,00 a saca de 60kg, hoje está custando R$ 33,00. A realidade de Santiago, que colheu 30 sacas por ha, dados da EMATER, apresentou déficit de 2,64 sacas, isso significa que faltou 2,64 sacas para cobrir o custo da lavoura. Com o TRIGO a situação é ainda pior, não existe comercialização, o custo é de R$ 33,01 e o preço de venda é de R$ 21,56, prejuízo de 35%. O ARROZ de 20 anos analisados teve prejuízo em 13.
Na pecuária os dados também assustam: no sistema de CRIA de 11 anos analisados 8 apresentaram prejuízo, RECRIA E ENGORDA no mesmo período se observou prejuízos em 7 anos e no sistema de CICLO COMPLETO o pior resultado, de 11 anos analisados em 10 teve prejuízo.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
MANIFESTO EM PORTO ALEGRE, DATA FOI MARCADA
Ontem (21/07/2010) em reunião realizada na Farsul com a Federarroz, Aprosoja e Fecoagro, foi marcada a data do MANIFESTO em Porto Alegre, esta é a primeira grande mobilização originada da reunião realizada dia 21 de junho em Santiago. SERÁ DIA 10 DE AGOSTO, COM INÍCIO AS 9 HORAS, NA PRAÇA EM FRENTE A FARSUL - Praça Professor Saint Pastous, 125, Cidade Baixa - Porto Alegre - RS. Foi formado também um grupo de trabalho para identificar as demandas de forma conjunta, a primeira reunião do grupo será dia 27 de julho em Porto Alegre.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Resultado da reunião na Farsul
Na reunião realizada dia 16 de julho na Farsul, onde estiveram presentes representantes de todos os Sindicato Rurais do estado, a Farsul decidiu apoiar o movimento dos Sindicatos, Federarroz e Aprosoja que pede renda para o setor agropecuário. Depois de consultar suas regionais e de a maioria manifestar que a situação do setor está difícil, a Farsul irá apoiar as ações que serão realizadas. Ficou decidido que no início de agosto será realizado um manifesto em Porto Alegre, a data será divulgada até o final desta semana. Deverão ir até a capital do estado milhares de produtores rurais. É o setor agropecuário mostrando sua indignação diante das adversidades sofridas nos últimos anos.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Projeto que prevê subsídio a produtores volta à pauta - 14/07/2010
Em pleno período de campanha eleitoral, a Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados resgatou um projeto de lei que pode resultar em uma despesa de no mínimo R$ 25 bilhões por ano aos cofres do Tesouro Nacional.
A proposta do deputado Carlos Melles (DEM-MG) prevê a concessão de subsídio direto ao produtor de R$ 500 por hectare de área cultivada ou explorada com atividades agropecuárias. A subvenção poderia ser atualizada a cada dois anos até o limite de R$ 750 e o produtor continuaria a receber outros subsídios, como os aplicados ao seguro rural ou ao escoamento da safra.
Além disso, o governo poderia fixar adicionais a culturas "ricas em proteínas". Estima-se que a medida beneficiaria 50 milhões de hectares, o equivalente à atual área cultivada com grãos, fibras e cereais em todo o país.
Em audiência na Câmara, um grupo de deputados reuniu ontem representantes de instituições ligadas ao agronegócio para acelerar a tramitação da proposta. "Nossos dirigentes são atrasados", afirmou Melles, ao classificar de "moderno" o projeto. "Por que temos tanto subsídio na área urbana e nada na área rural? Não temos nem uma agência reguladora do agronegócio".
Para ter direito ao subsídio, o produtor não poderia estar inadimplente com o fisco ou bancos oficiais, além de atender a regras trabalhistas, ambientais, alimentícias, sanitárias, do zoneamento agrícola e bem-estar animal. O dinheiro seria embolsado até 31 de março de cada ano.
O benefício, criado para "mitigar" efeitos negativos do clima, cambiais, de mercado e de crédito, seria suspenso somente se os principais países produtores e exportadores de alimentos revogassem os subsídios diretos aos seus produtores.
O projeto não especifica impactos sobre preços da terra e a tendência de concentração desse ativo, além de evitar detalhes técnicos de rotação de culturas ou o modelo de pecuária. Mesmo assim, o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) fez apelos aos ruralistas para criar "um clamor e um movimento coordenado" para aprovar a proposta na Câmara.
"Precisamos dar um freio de arrumação, pressionar em momento de campanha, mostrar força", afirmou. E elencou os problemas do setor: "Temos o menor preço nos últimos 10 anos para milho, soja, arroz e algodão. Tivemos perdas de R$ 12 bilhões só na comercialização da safra em 2010 e 70% dos produtores não têm acesso ao crédito porque renegociou dívida, ou está no Serasa, ou no Cadin", afirmou.
Caiado disse que "ninguém tem como pagar" a dívida, que hoje somaria R$ 100 bilhões, por causa de efeitos adversos do câmbio, clima e mercado. "Esses não são problemas do produtor", disse.
O deputado Valdir Colatto (PMDB-SC) reafirmou a necessidade do projeto. "Temos que ter um 'seguro-renda', sob pena de não termos mais produtores no Brasil", disse. "Tem dinheiro para isso? Não sei. Mas o produtor não pode pagar essa conta sempre", disse o deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS).
A Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) apoiou a iniciativa. "Nos últimos anos, mais de 20 mil produtores saíram da atividade porque o retorno é incerto. Podemos subvencionar pela terra ou pelo produto, isso é de extrema importância", disse a superintendente técnica da CNA, Rosemeire dos Santos.
As cooperativas também aplaudiram. "Temos que evoluir para garantir renda, prêmios por produtividade. E a sociedade tem que bancar isso ao setor rural porque tem dívida com os produtores", afirmou o gerente de Mercados da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Evandro Ninaut. "É um projeto oportuno, necessário, mas precisa adaptações às condições nacionais".
A Fundação Getúlio Vargas (FGV) não só concordou como aconselhou a estratégia de comunicação: "Não vamos usar [a palavra] subvenção. Vamos usar renda", disse Luiz Antônio Pinazza, da GV Agro e diretor da Associação Brasileira do Agribusiness (Abag).
"E chama o [Carlo] Lovatelli [presidente da Abag]. O agronegócio não quer matar o cliente dele. Não viu o show que foi o Código Florestal? Mostrou para a sociedade a importância do tema", disse Pinazza.
Autor: Mauro Zanatta
Fonte: Site Aprosoja
IMPORTANTE FICAR ATENTO, ACOMPANHAR E PRECIONAR PELA VOTAÇÃO DESTE PROJETO TÃO IMPORTANTE PARA O SETOR AGROPECUÁRIO. SERIA A LUZ NO FINAL DO TÚNEL?
A proposta do deputado Carlos Melles (DEM-MG) prevê a concessão de subsídio direto ao produtor de R$ 500 por hectare de área cultivada ou explorada com atividades agropecuárias. A subvenção poderia ser atualizada a cada dois anos até o limite de R$ 750 e o produtor continuaria a receber outros subsídios, como os aplicados ao seguro rural ou ao escoamento da safra.
Além disso, o governo poderia fixar adicionais a culturas "ricas em proteínas". Estima-se que a medida beneficiaria 50 milhões de hectares, o equivalente à atual área cultivada com grãos, fibras e cereais em todo o país.
Em audiência na Câmara, um grupo de deputados reuniu ontem representantes de instituições ligadas ao agronegócio para acelerar a tramitação da proposta. "Nossos dirigentes são atrasados", afirmou Melles, ao classificar de "moderno" o projeto. "Por que temos tanto subsídio na área urbana e nada na área rural? Não temos nem uma agência reguladora do agronegócio".
Para ter direito ao subsídio, o produtor não poderia estar inadimplente com o fisco ou bancos oficiais, além de atender a regras trabalhistas, ambientais, alimentícias, sanitárias, do zoneamento agrícola e bem-estar animal. O dinheiro seria embolsado até 31 de março de cada ano.
O benefício, criado para "mitigar" efeitos negativos do clima, cambiais, de mercado e de crédito, seria suspenso somente se os principais países produtores e exportadores de alimentos revogassem os subsídios diretos aos seus produtores.
O projeto não especifica impactos sobre preços da terra e a tendência de concentração desse ativo, além de evitar detalhes técnicos de rotação de culturas ou o modelo de pecuária. Mesmo assim, o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) fez apelos aos ruralistas para criar "um clamor e um movimento coordenado" para aprovar a proposta na Câmara.
"Precisamos dar um freio de arrumação, pressionar em momento de campanha, mostrar força", afirmou. E elencou os problemas do setor: "Temos o menor preço nos últimos 10 anos para milho, soja, arroz e algodão. Tivemos perdas de R$ 12 bilhões só na comercialização da safra em 2010 e 70% dos produtores não têm acesso ao crédito porque renegociou dívida, ou está no Serasa, ou no Cadin", afirmou.
Caiado disse que "ninguém tem como pagar" a dívida, que hoje somaria R$ 100 bilhões, por causa de efeitos adversos do câmbio, clima e mercado. "Esses não são problemas do produtor", disse.
O deputado Valdir Colatto (PMDB-SC) reafirmou a necessidade do projeto. "Temos que ter um 'seguro-renda', sob pena de não termos mais produtores no Brasil", disse. "Tem dinheiro para isso? Não sei. Mas o produtor não pode pagar essa conta sempre", disse o deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS).
A Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) apoiou a iniciativa. "Nos últimos anos, mais de 20 mil produtores saíram da atividade porque o retorno é incerto. Podemos subvencionar pela terra ou pelo produto, isso é de extrema importância", disse a superintendente técnica da CNA, Rosemeire dos Santos.
As cooperativas também aplaudiram. "Temos que evoluir para garantir renda, prêmios por produtividade. E a sociedade tem que bancar isso ao setor rural porque tem dívida com os produtores", afirmou o gerente de Mercados da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Evandro Ninaut. "É um projeto oportuno, necessário, mas precisa adaptações às condições nacionais".
A Fundação Getúlio Vargas (FGV) não só concordou como aconselhou a estratégia de comunicação: "Não vamos usar [a palavra] subvenção. Vamos usar renda", disse Luiz Antônio Pinazza, da GV Agro e diretor da Associação Brasileira do Agribusiness (Abag).
"E chama o [Carlo] Lovatelli [presidente da Abag]. O agronegócio não quer matar o cliente dele. Não viu o show que foi o Código Florestal? Mostrou para a sociedade a importância do tema", disse Pinazza.
Autor: Mauro Zanatta
Fonte: Site Aprosoja
IMPORTANTE FICAR ATENTO, ACOMPANHAR E PRECIONAR PELA VOTAÇÃO DESTE PROJETO TÃO IMPORTANTE PARA O SETOR AGROPECUÁRIO. SERIA A LUZ NO FINAL DO TÚNEL?
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Vale a pena Ler...Desabafo de um produtor do Pantanal
Carta aberta à senadora Kátia Abreu - 25 de Junho de 2010
Recentemente, me encontrava no Pantanal trabalhando com gado, como de praxe nos períodos de vacinação e reforço. Nós, pantaneiros, prezamos pela vacinação do nosso rebanho, daí a ausência de focos de aftosa nos últimos anos. No entanto, tive a oportunidade de ler a entrevista veiculada na revista VEJA (28/04/2010) da nossa representante mor do agronegócio brasileiro, a presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu (DEM-TO). Confesso que senti orgulho de ser o pecuarista e pantaneiro que sou, pois faço parte da quarta geração de ocupantes deste longícuo Pantanal sul-mato-grossense. Mais precisamente, da região da Nhecolândia, nome de difícil pronúncia, mas que faz jus ao nosso pioneiro e desbravador, Sr. Joaquim Eugênio Gomes da Silva, o Nheco, daí o nome originário desta que é segunda maior sub-região pantaneira.
O Pantanal, como todo o Brasil, tem sua história e cultura extremamente presente em suas origens, porém, por falta reconhecimento e políticas governamentais. Os políticos se esqueceram da existência dos legítimos pantaneiros e, consequentemente, estamos entrando para a lista de extinção de um povo. Acabar com o homem pantaneiro é acabar com o Pantanal. Infelizmente esse não é o pensamento e a preocupação de algumas ONG’S que se dizem ambientalistas, mas desconsideram e descriminam quem sempre preservou o Pantanal.
Pela primeira vez, nos últimos anos, alguém levanta a bandeira e quebra os paradigmas existentes a respeito do agronegócio. Alguém tomara para si a responsabilidade de resgatar e difundir as verdades sobre o setor que contribui com o PIB brasileiro. E esse alguém precisou ser uma mulher. Que vem exercendo este papel de liderança com desenvoltura e competência junto a presidência da CNA. Acredito neste novo momento pela qual estamos passando, basta esclarecer a toda a população que o leite não vem da caixinha “tetra park”, que a carne não é só embalada a vácuo e que existe uma cadeia produtiva organizada. Uma produtividade que assusta as grandes potências mundiais. Aliás, no quesito agronegócio nós já somos uma potência inquestionável, imagine se recebêssemos os subsídios que os produtores rurais do outro lado do mundo recebem de seus governos. Onde é que o Brasil iria parar?
A senadora Kátia Abreu foi muito feliz em desafiar os representantes governamentais a administrar uma propriedade rural independentemente do tamanho e localização. Os respectivos administradores devem cumprir com as leis trabalhistas brasileiras, e principalmente, com as exigências ambientais, tais como: apresentação da cadeia dominial, georeferenciamento da propriedade (dependendo da época e do aparelho de GPS, temos que refazer o trabalho já apresentado ao INCRA, não sei se a lua influencia nessas exigências, mas a todo instante se cria uma nova normativa, o que vale no dia de hoje poderá não valer daqui a alguns meses), e por último, a reserva legal averbada e georeferenciada. Tudo com prazo a cumprir, mas a resposta desses trabalhos vem a perder de vista, com a demora de alguns anos para recebermos a certificação da propriedade. Haja dinheiro e paciência para arcar com todas essas exigências.
Sugiro então, que seja o Pantanal a cobaia de tal experiência administrativa senadora Kátia Abreu. Assim eles desistiriam logo de cara porque aqui é longe e faz muito calor, mas quando esfria, faz frio mesmo. Tem mosquito em certas épocas do ano, como expressa um legítimo pantaneiro quando perguntado sobre a intensidade da enchente, respondendo de maneira simples, objetiva e principalmente verdadeira: “Se chover enche, se não chover, não enche”.
Assim é o Pantanal. Nós não temos estradas, mas sim ”acessos”, a telefonia está mais para “MORTA” do que para “VIVO”. Probleminhas que fazem parte do nosso dia-a-dia enquanto pantaneiro, que não é para qualquer um. Perdoem-me o esquecimento, faltou-me citar a mão-de-obra local: com tantos “VALES” oferecidos pelo governo assistencialista e populista nas cidades, contratar um peão está ficando cada vez mais difícil. É o incentivo ao inquestionável êxodo rural em vigência. Quem sabe os nossos “experientes administradores” possuam alguma fórmula secreta em administrar uma propriedade rural a longa distância, desenvolvida em alguma sala em Brasília. Com ar condicionado, lógico! Achando que administrar uma propriedade é igual ao game famoso da internet “farmville”, onde para administrar uma propriedade basta apenas clikar num botão.
O governo nos exige cumprir leis, mas se esquece da aplicação da teoria aliada à prática, desprezando a imensidão e características próprias de cada bioma brasileiro, e não são poucos os biomas. Recentemente, participei da audiência pública em Corumbá/MS a respeito do Código Florestal. Essa discussão é séria. Nós dependemos dessa aprovação e regulamentação para sabermos o que podemos fazer ou não com as nossas propriedades. Eu tenho algumas dúvidas que provavelmente não são apenas pertinentes a mim, mas a todos os produtores rurais. Cito como exemplo o tema sobre a reserva legal de 20% aqui em Mato Grosso do Sul e me pergunto se poderemos ou não criar o nosso gado nessa invernada destinada a preservação. Tratando-se do Bioma Pantanal, intacto mesmo após 200 anos de ocupação entre o homem e a pecuária, essa dualidade é de valor imensurável e indiscutível na sobrevivência do meio ambiente pantaneiro, mas pouco considerada por falta de conhecimento de causa. Mas caso persista a negativa da não ocupação sustentável das reservas legais, quero saber quem vai arcar com a autorização, contratação de empreiteiro, aramados e manutenção das cercas que deverão fechar a reserva legal? E se pegar fogo na reserva e queimar o meu campo, quem será responsabilizado? Precisamos agir com responsabilidade, equilíbrio e principalmente com bom senso considerando a realidade rural brasileira de cada bioma. Reitero aos nossos governantes que jamais se deve desprezar a realidade.
Este ano temos eleição e quero convocar a todos os cidadãos que façam valer a força do voto. O agronegócio está reagindo e vai mostrar a sua força. Exercendo com dignidade a profissão de produtor rural e se orgulhando disso com muita honra. O Brasil só tende a ganhar. PT Saudações.
OTÁVIO AUGUSTO COSTA DE LACERDA
Produtor Rural Pantaneiro - MS
E-mail: pantanal2005@hotmail.com
Recentemente, me encontrava no Pantanal trabalhando com gado, como de praxe nos períodos de vacinação e reforço. Nós, pantaneiros, prezamos pela vacinação do nosso rebanho, daí a ausência de focos de aftosa nos últimos anos. No entanto, tive a oportunidade de ler a entrevista veiculada na revista VEJA (28/04/2010) da nossa representante mor do agronegócio brasileiro, a presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu (DEM-TO). Confesso que senti orgulho de ser o pecuarista e pantaneiro que sou, pois faço parte da quarta geração de ocupantes deste longícuo Pantanal sul-mato-grossense. Mais precisamente, da região da Nhecolândia, nome de difícil pronúncia, mas que faz jus ao nosso pioneiro e desbravador, Sr. Joaquim Eugênio Gomes da Silva, o Nheco, daí o nome originário desta que é segunda maior sub-região pantaneira.
O Pantanal, como todo o Brasil, tem sua história e cultura extremamente presente em suas origens, porém, por falta reconhecimento e políticas governamentais. Os políticos se esqueceram da existência dos legítimos pantaneiros e, consequentemente, estamos entrando para a lista de extinção de um povo. Acabar com o homem pantaneiro é acabar com o Pantanal. Infelizmente esse não é o pensamento e a preocupação de algumas ONG’S que se dizem ambientalistas, mas desconsideram e descriminam quem sempre preservou o Pantanal.
Pela primeira vez, nos últimos anos, alguém levanta a bandeira e quebra os paradigmas existentes a respeito do agronegócio. Alguém tomara para si a responsabilidade de resgatar e difundir as verdades sobre o setor que contribui com o PIB brasileiro. E esse alguém precisou ser uma mulher. Que vem exercendo este papel de liderança com desenvoltura e competência junto a presidência da CNA. Acredito neste novo momento pela qual estamos passando, basta esclarecer a toda a população que o leite não vem da caixinha “tetra park”, que a carne não é só embalada a vácuo e que existe uma cadeia produtiva organizada. Uma produtividade que assusta as grandes potências mundiais. Aliás, no quesito agronegócio nós já somos uma potência inquestionável, imagine se recebêssemos os subsídios que os produtores rurais do outro lado do mundo recebem de seus governos. Onde é que o Brasil iria parar?
A senadora Kátia Abreu foi muito feliz em desafiar os representantes governamentais a administrar uma propriedade rural independentemente do tamanho e localização. Os respectivos administradores devem cumprir com as leis trabalhistas brasileiras, e principalmente, com as exigências ambientais, tais como: apresentação da cadeia dominial, georeferenciamento da propriedade (dependendo da época e do aparelho de GPS, temos que refazer o trabalho já apresentado ao INCRA, não sei se a lua influencia nessas exigências, mas a todo instante se cria uma nova normativa, o que vale no dia de hoje poderá não valer daqui a alguns meses), e por último, a reserva legal averbada e georeferenciada. Tudo com prazo a cumprir, mas a resposta desses trabalhos vem a perder de vista, com a demora de alguns anos para recebermos a certificação da propriedade. Haja dinheiro e paciência para arcar com todas essas exigências.
Sugiro então, que seja o Pantanal a cobaia de tal experiência administrativa senadora Kátia Abreu. Assim eles desistiriam logo de cara porque aqui é longe e faz muito calor, mas quando esfria, faz frio mesmo. Tem mosquito em certas épocas do ano, como expressa um legítimo pantaneiro quando perguntado sobre a intensidade da enchente, respondendo de maneira simples, objetiva e principalmente verdadeira: “Se chover enche, se não chover, não enche”.
Assim é o Pantanal. Nós não temos estradas, mas sim ”acessos”, a telefonia está mais para “MORTA” do que para “VIVO”. Probleminhas que fazem parte do nosso dia-a-dia enquanto pantaneiro, que não é para qualquer um. Perdoem-me o esquecimento, faltou-me citar a mão-de-obra local: com tantos “VALES” oferecidos pelo governo assistencialista e populista nas cidades, contratar um peão está ficando cada vez mais difícil. É o incentivo ao inquestionável êxodo rural em vigência. Quem sabe os nossos “experientes administradores” possuam alguma fórmula secreta em administrar uma propriedade rural a longa distância, desenvolvida em alguma sala em Brasília. Com ar condicionado, lógico! Achando que administrar uma propriedade é igual ao game famoso da internet “farmville”, onde para administrar uma propriedade basta apenas clikar num botão.
O governo nos exige cumprir leis, mas se esquece da aplicação da teoria aliada à prática, desprezando a imensidão e características próprias de cada bioma brasileiro, e não são poucos os biomas. Recentemente, participei da audiência pública em Corumbá/MS a respeito do Código Florestal. Essa discussão é séria. Nós dependemos dessa aprovação e regulamentação para sabermos o que podemos fazer ou não com as nossas propriedades. Eu tenho algumas dúvidas que provavelmente não são apenas pertinentes a mim, mas a todos os produtores rurais. Cito como exemplo o tema sobre a reserva legal de 20% aqui em Mato Grosso do Sul e me pergunto se poderemos ou não criar o nosso gado nessa invernada destinada a preservação. Tratando-se do Bioma Pantanal, intacto mesmo após 200 anos de ocupação entre o homem e a pecuária, essa dualidade é de valor imensurável e indiscutível na sobrevivência do meio ambiente pantaneiro, mas pouco considerada por falta de conhecimento de causa. Mas caso persista a negativa da não ocupação sustentável das reservas legais, quero saber quem vai arcar com a autorização, contratação de empreiteiro, aramados e manutenção das cercas que deverão fechar a reserva legal? E se pegar fogo na reserva e queimar o meu campo, quem será responsabilizado? Precisamos agir com responsabilidade, equilíbrio e principalmente com bom senso considerando a realidade rural brasileira de cada bioma. Reitero aos nossos governantes que jamais se deve desprezar a realidade.
Este ano temos eleição e quero convocar a todos os cidadãos que façam valer a força do voto. O agronegócio está reagindo e vai mostrar a sua força. Exercendo com dignidade a profissão de produtor rural e se orgulhando disso com muita honra. O Brasil só tende a ganhar. PT Saudações.
OTÁVIO AUGUSTO COSTA DE LACERDA
Produtor Rural Pantaneiro - MS
E-mail: pantanal2005@hotmail.com
Exemplo a ser seguido...
A cadeia orizícola pretende criar um fundo setor para campanhas de estímulo ao consumo de arroz no país. Este é um dos itens que serão avaliados até 15 de agosto para compor a agenda estratégica do setor até 2015. O tema foi tratado, ontem, pela Câmara Setorial do grão, em Brasília.
Fonte: Correio do Povo
Fonte: Correio do Povo
União Europeia amplia espaço para carne do Brasil
A União Europeia (UE) autorizou o Brasil a indicar fazendas para serem habilitadas a exportar carne bovina para o bloco. A medida foi anunciada pelo ministro da Agricultura, Wagner Rossi que concluiu, ontem, com representantes do setor, uma série de reuniões com autoridades do bloco, em Bruxelas. O veredito final sobre as propriedades, no entanto, continua sendo da UE, que hoje tem exclusividade na composição desta lista. "Os europeus se propuseram a aceitar as fazendas, ficando com o direito de inspecioná-las a qualquer momento", explicou Rossi
Segundo o ministro, o assunto foi acordado na esfera política e, a partir de agora, os detalhes sobre a ampliação da lista serão acertados entre as equipes técnicas do Brasil e da Europa. Atualmente, segundo o Mapa, há 2 mil propriedades brasileiras credenciadas pela UE. "O número é pequeno e precisamos ampliá-lo rapidamente", destacou Rossi. Na sua avaliação, a medida será benéfica porque o sistema atual de rastreabilidade limitou muito a quantidade de propriedades credenciadas, o que interferiu no resultado das exportações para o bloco desde 2008.
A missão também traz boas notícias com relação ao cumprimento da Cota Hilton para o Brasil. "Tivemos dificuldades de atendê-la no passado, mas vamos ter, em meses, solução para que Brasil possa cumpri-la no próximo ano", comentou Rossi. Embora não especifique de que modo irá proceder neste sentido, disse que havia razão para a linha mais dura com o país no passado, mas hoje não há mais justificativas para tal atitude da UE. Atualmente, o Brasil tem uma fatia de exportação de 10 mil toneladas de cortes nobres bovinos para o bloco dentro da Cota Hilton. Mas, desde julho do ano passado, só conseguiu exportar cerca de 10% desse total. Dentro da norma, os exportadores pagam tarifa única de 20%. Fora dela, há imposto de 12,8% e os exportadores pagam mais 3.041 euros/ tonelada.
Rossi ainda recebeu confirmação de visita do comissário de Agricultura e Desenvolvimento Rural da União Europeia, Dacian Ciolos ao Brasil. O europeu destacou que vê com bons olhos os esforços do Brasil para ampliar sua produção, enquanto mantém iniciativas para preservar o meio ambiente e garantir a sustentabilidade de seus recursos naturais.
Fonte: Correio do Povo
Segundo o ministro, o assunto foi acordado na esfera política e, a partir de agora, os detalhes sobre a ampliação da lista serão acertados entre as equipes técnicas do Brasil e da Europa. Atualmente, segundo o Mapa, há 2 mil propriedades brasileiras credenciadas pela UE. "O número é pequeno e precisamos ampliá-lo rapidamente", destacou Rossi. Na sua avaliação, a medida será benéfica porque o sistema atual de rastreabilidade limitou muito a quantidade de propriedades credenciadas, o que interferiu no resultado das exportações para o bloco desde 2008.
A missão também traz boas notícias com relação ao cumprimento da Cota Hilton para o Brasil. "Tivemos dificuldades de atendê-la no passado, mas vamos ter, em meses, solução para que Brasil possa cumpri-la no próximo ano", comentou Rossi. Embora não especifique de que modo irá proceder neste sentido, disse que havia razão para a linha mais dura com o país no passado, mas hoje não há mais justificativas para tal atitude da UE. Atualmente, o Brasil tem uma fatia de exportação de 10 mil toneladas de cortes nobres bovinos para o bloco dentro da Cota Hilton. Mas, desde julho do ano passado, só conseguiu exportar cerca de 10% desse total. Dentro da norma, os exportadores pagam tarifa única de 20%. Fora dela, há imposto de 12,8% e os exportadores pagam mais 3.041 euros/ tonelada.
Rossi ainda recebeu confirmação de visita do comissário de Agricultura e Desenvolvimento Rural da União Europeia, Dacian Ciolos ao Brasil. O europeu destacou que vê com bons olhos os esforços do Brasil para ampliar sua produção, enquanto mantém iniciativas para preservar o meio ambiente e garantir a sustentabilidade de seus recursos naturais.
Fonte: Correio do Povo
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Trigo...
O Ministério da Agricultura – MAPA reduziu o preço mínimo do trigo em 10%, com essa redução os triticultores gaúchos podem perder R$ 50 milhões. Já foi impetrado ontem, no Supremo Tribunal Federal (STF), pela Federação da Agricultura do Paraná (Faep), mandado de segurança contra a portaria 478/2010 do Mapa. A Farsul irá aderir por meio de petição. Os triticultores querem que seja praticado o mesmo preço de 2009, R$ 31,80 a saca para o trigo tipo pão e R$ 26,43 para o tipo brando. O que se alega, é que a safra já estava plantada quando o Mapa anunciou a redução do preço mínimo.
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